Política, Estado e Religião

 Há muitas celeumas quando se fala do envolvimento do cristão na questão política, porém, dessa realidade, como um membro de um Estado, ele jamais deve fugir, visto que toda sua vida como cidadão entrelaça-se com ela. A política, no seu bom sentido, fala de se dirigir os negócios de uma nação ou Estado, ela é uma ciência que trata do governo dos povos.

            A participação do cristão na política é algo premente, tanto se candidatando como votando, envolvendo-se no conhecimento das propostas de cada candidato, pois a quietude neste mundo, conforme falou Paulo, vem deles (1 Tm 2.1,2). Que há políticos com politicagem, isso não se descarta, que existem aqueles que se convertem para gozar de votos evangélicos, também não se descarta, e que existe na atualidade uma desconfiança geral se há homens sérios excedendo um mandato a obviedade é certa, mas jamais podemos usar desses pressupostos para negar ou desprezar a política como a arte de governar bem o destino de um povo, uma nação, de criar políticas de segurança, saúde, educação, igualdade.

O que cada cristão deve ter em mente é que o papel da política não é fortalecer uma determinada igreja, mas é claro, não se pode desprezar o aspecto religioso na questão da conduta de um político, visto que cada cidadão ou político tem sua crença. É claro, os primeiros teólogos, possivelmente no século 16-17, em se tratando da separação entre Igreja e Estado, que hoje é preconizado em nossa Carta Magna, entendiam claramente que o Estado não é cristão, que tem como propositura promover determinada instituição religiosa, a missão de promover a Igreja foi dada a cada crente, para fazer discípulos de todas as nações (Mt 28.19-20).

            O cristão pode entrar na política com seu sentimento confessional, isto é, por sua crença, pelos ideais de justiça, bondade, amor, pode sentir no coração um desejo concorrer a um cargo político, fundamentado em fé, para defender alguns projetos, é claro, nessa sua posição seu objetivo não é levar a Igreja para a política, pois tem plena consciência que o Estado é laico, ou seja, não é eclesiástico, de caráter não religioso, não confessional. Na política o cristão pode ser confessional, mas sabendo que o Estado não é.

            Tomar conhecimento disso é de grande relevância para que o cristão nunca pense entrar na política como um político messiânico, que prontamente, em nome de Jesus, de sua crença, vai resolver todos os problemas do mundo. Na verdade isso é utopia, visto que para Cristo está destinado um momento em que irá reinar sobre todos os povos, aí sim, seu governo será desenvolvido com perfeição.

            Mas há grande vantagem em ter candidatos que sejam dominados por sua fé em Deus, ele irá lutar por políticas que procuram honrar o povo, a família, as crianças, a paz, a igualdade, buscando a harmonia, jamais pendendo para leis absurdas que criam ingerências contra os bons valores. Imagine se todos os políticos fossem dominados pelo que as Escrituras dizem, com certeza evitariam a corrupção, a deslealdade, o desvio de dinheiro, e priorizariam as melhores propostas, pois de tudo isso a Bíblia fala. Em Provérbios é dito: “Quando se multiplicam os justos, o povo se alegra, quando, porém, domina o perverso, o povo suspira” (Pv 29.2).

            O que cada cristão e Convenções devem entender é que Estado é Estado e Igreja é Igreja, assim, quando um membro ou pastor candidata-se, ele não vai levar sua instituição eclesiástica, pois jamais poderá lutar apenas pelos seus próprios interesses, pois sua função é trabalhar para o bem de todos, no demais, se assim o fizer estará fazendo com que sua igreja faça política, o que não é certo.

            Querer levar a Igreja para a política é perigoso, pois nesse particular ela pode sair da sua real missão, que é espiritual, evangelizar e ganhar os pecadores para Cristo, destarte, ao envolver-se como instituição na política, ela estará sujeita a todas as questões políticas deste mundo, por isso é bom ficar com o que Jesus disse: O que é de César é de César, o que é de Deus é de Deus (Mc 12.1.).

            Ainda há que se dizer que, quanto a um candidato político, não se deve votar nele apenas por ser uma pessoa de influência, alguém que tem apoio de certo grupo, ou que já possui certa condição financeira. Isso se denomina de modelo autogerado. Por vezes, no meio evangélico aparece alguém assim, é muito perigoso votar nele, pois sempre se achará importante, que a votação que teve foi por sua influência, seu poder, dessa maneira jamais lutará pelos verdadeiros ideais.

            Paul Freston está certo quando faz menção ao modelo comunitário, é claro, ele não está defendendo uma filosofia de que essa comunidade se reúne para defender suas igrejas, mas uma comunidade que pensa politicamente inspirado pela mesma fé, não por paixão partidária. O candidato político precisa corresponder aos anseios desse grupo que abre espaço para o diálogo, que não se coaduna com uma má política, por isso luta por uma verdadeira política.

Pr. Osiel Gomes

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